01 de outubro de 2014

Marconi vira alvo de todos os candidatos

Os cinco candidatos a governador que participaram do debate na TV Anhanguera optaram pela linha do ataque. O governador Marconi Perillo (PSDB), que ficou na defensiva no debate promovido pelo POPULAR no dia 15 de setembro, também atacou todos os adversários, inclusive Wesley Garcia (PSOL). 

O primeiro bloco do debate começou com a pergunta do candidato Wesley Garcia, que questionou o governador Marconi Perillo (PSDB) sobre a doação de recursos para sua campanha por uma empresa de frangos. “A prestação de contas está no TRE, tudo como determina a lei”, respondeu o governador. Na réplica, Garcia afirmou que a doação de empresas a Marconi é “investimento”, pois elas depois farão “negociatas” com o governo.

Mas o primeiro embate ocorreu na pergunta de Marconi a Iris Rezende (PMDB). O governador questionou Iris sobre como ele vai dobrar o efetivo da polícia, momento que o ex-prefeito aproveitou para criticar as ações do governo na área de segurança. “O candidato do PMDB é demagogo”, respondeu Marconi, apresentando números que provariam o governo teria de dobrar os gastos com esse aumento do efetivo da PM. “Vamos restituir a paz às famílias goiana, hoje prisioneiras em suas casas”, reagiu Iris Rezende.

Novo embate aconteceu entre Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide, que haviam se unido no debate do POPULAR para criticar Marconi. Ao responder a pergunta de Gomide sobre legislação eleitoral, o candidato do PSB reclamou da “desigualdade” de recursos para os candidatos nas campanhas, afirmou que o candidato do governo é “financiado por empresas que têm créditos outorgados do Estado” e defendeu o financiamento público de campanha. O candidato petista aproveitou a deixa para defender a fidelidade partidária e para criticar Vanderlan por tem mudado de partido várias vezes. 

Vanderlan perguntou a Marconi sobre os aditivos assinados pelo governo nos contratos de obras. Marconi disse que investiu R$ 5 bilhões na Agetop para reconstruir estradas que foram destruídas “no governo do governador que o apoia”, numa referência ao ex-governador Alcides Rodrigues, e disse que o porcentual de aditivos nesse montante de investimento foi de apenas 4%, o que, segundo ele, é muito baixo.

Na réplica, Vanderlan disse que Marconi “faltou com a verdade”, afirmando que os preços das obras cresceram bem acima da média na obra do Hugo 2 e na GO-020. “Por que ses sabemos que a distância entre Bela Vista e Goiânia não aumentou?”, ironizou o candidato do PSB. “Uma coisa é o que o sr. diz a outra é a realidade que está nos contratos”, respondeu Marconi, dizendo que seus adversários têm “dor de cotovelo” pelas obras de seu governo.

Segundo bloco
Os temas deste bloco foram definidos por sorteio. Selecionado para perguntar sobre o sistema prisional, Iris escolheu Vanderlan que defendeu aquisição de mais tornozeleiras e parcerias com a iniciativa privada para resolver o problema da superlotação dos presídios. Na réplica, Iris criticou a “irresponsabilidade” do governo por não ter aumentado as vagas nos presídios. “Assumindo o governo, vamos construir prisões e dar segurança às famílias de Goiás”. 

Vanderlan aproveitou para afirmar que o governo de Goiás “devolveu R$ 12 milhões para a União”, por falta de projetos para construção de presídios. “Faltam gestão e planejamento a esse governo”, criticou. Durante a discussão entre Iris e Vanderlan, o governador pediu três direitos de respostas, negados pela coordenação do debate que não considerou que houve ofensa a sua honra.

Marconi defendeu sua política de incentivos fiscais a todas as áreas do agronegócio e afirmou que, graças a isso, o setor aumentou a produção agrícola no Estado. “Nós tivemos a visão de apoiar as cadeias alimentícias e isso fez muito sucesso”, afirmou. “Não é o que dizem as famílias da agricultura familiar, o pequeno produtor rural. O agronegócio cresceu porque o mundo é comprador de alimentos. Se não fosse, Goiás estava passando grandes dificuldades”, retrucou Vanderlan.

Vanderlan e Antônio Gomide fizeram uma dobradinha para criticar a gestão da Saneago e a subdelegação do serviço para empresas privadas. Gomide afirmou que a empresa corre o risco de ter as mesmas dificuldades da Celg. Último a falar no bloco, Wesley Garcia lembrou  que é da região do Entorno do DF, onde a criminalidade é alta e questionou o governador sobre suas propostas para a região. Marconi aproveitou então o tempo para defender a Saneago e os investimentos feitos pela empresa no Estado. “A respeito da criminalidade, nós fizemos investimentos maciços na região e novamente defendeu a participação da União e dos municípios no combate à criminalidade.

“Governador tem de ser sério e ele mentiu, mentiu duas vezes”, rebateu Wesley afirmando que Marconi tinha faltado com a verdade nas suas falas sobre a Saneago e o investimento segurança no Entorno. “As obras que estamos fazendo no Estado são vistas por todos. Quem faz nossa propaganda são as nossas obras”, respondeu Marconi que afirmou que o candidato do PSOL “tem sido muito desrespeitoso”.

Terceiro bloco
Marconi acusou Iris de ter perseguido servidores públicos em seu governo em 1983 e de ter feito terror fiscal. Iris lembrou que recebeu o governo com seis meses de atraso da folha de pagamento e que o ex-governador havia nomeado milhares de servidores em período proibido pela lei. “Foram 21 mil (demitidos). Eles queriam acabar de vez com meu governo. Em sete meses estava tudo pago (os salários) e as máquinas começaram a roncar pelo Estado afora”.

Marconi reclamou que Iris não havia respondido sua pergunta sobre o terror fiscal no Estado. O governador aproveitou para afirmar que a prefeitura “aprovou o maior aumento de impostos” na Câmara de Goiânia e que muitas famílias não “terão condições de pagar o IPTU de suas casas” com o “aumento abusivo” e questionou se Iris estava por trás disso. O peemedebista então afirmou que não fez terror fiscal, que apenas cobrava o que era devido ao Estado. “E completou: 70% da infraestrutura que existe em Goiás foi feita em meu governo”.

Gomide perguntou a Marconi se ele devolverá a titularidade aos professores e o governador aproveitou para falar sobre o que fez para a categoria em seus governos. E prometeu analisar “a possibilidade de volta da titularidade”, mas que não isso não ocorrerá se o Estado não tiver condições de pagar. “Não farei proposta demagógica, que significa muitos milhões a mais de gastos.” Gomide disse que dinheiro na educação não é gasto, mas investimento e que Marconi tem de reconhecer que lesou os professores com o corte da titularidade aos professores.

Neste momento houve novo embate entre Vanderlan e Marconi a respeito das pesquisas eleitorais, que o candidato do PSB critica. “A verdadeira pesquisa será no domingo. O eleitor que está vendo o que está acontecendo em Goiás com obras por toda parte”.

Iris perguntou a Wesley o que ele achava de candidato que não cumpria promessa de campanha para atingir Marconi. Wesley disse não só o governador, mas também Iris, havia deixado de cumprir promessas. Neste momento Marconi novamente fez três pedidos de resposta, mas a coordenação da campanha concedeu apenas um. “Pedi (o direito de resposta) porque esse debate não é de propostas, apenas de xingatório. Gostaria que os candidatos falassem de propostas”, defendeu-se.

Quarto bloco
O bloco foi novamente de assuntos sorteados. Vanderlan aproveitou o tema energia para perguntar a Marconi por que ele impediu o acordo entre o governo de Goiás e a União para recuperar a Celg em 2010. “Aquele governo não tinha credibilidade para fazer o acordo”, respondeu Marconi, que também aproveitou para lembrar a privatização da Usina de Cachoeira Dourada e defender o acordo celebrado agora entre a Eletrobras e a Celg. “Concordo com o sr. que o problema da Celg começou com a venda da Cachoeira Dourada, mas o sr também fez o mesmo com a Celg, usou ela politicamente para ajudar aliados. “O sr. não é sério”, rebateu Marconi.

Wesley questionou Marconi sobre o transporte coletivo e elogiou a Metrobus, deixa que o governador aproveitou para falar dos investimentos que fez na linha e da extensão do eixo para Senador Canedo, Goianira e Trindade. “O governador vive no País das Maravilhas, tudo para ele está maravilhoso”, ironizou Wesley.

Marconi também foi irônico: “Eu conheço mais o Entorno do que o sr”, respondeu. O candidato do PSOL é de Valparaíso. Vanderlan e Wesley pediram direito de resposta, mas eles foram negados.

Marconi escolheu Wesley Garcia para fazer uma pergunta e, criticado, voltou a ironizar a “desinformação do candidato”, que havia feito críticas a política educacional do governo. O candidato do PSOL também optou pela mesma linha: “Vou repetir de novo para o senhor entender”, afirmou e voltou a repetir suas críticas. O debate da TV Anhanguera foi realizado no anfiteatro da emissora e terminou aos 36 minutos desta quarta-feira (1º).

 

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